Demanda por ar-condicionado deve crescer fortemente no Brasil até 2050, aponta estudo internacional
O avanço das mudanças climáticas e o aumento das temperaturas médias globais devem provocar uma transformação profunda na demanda por sistemas de climatização em todo o mundo nas próximas décadas. Entre os países mais impactados por esse cenário está o Brasil, onde a procura por equipamentos de ar-condicionado tende a crescer de forma acelerada até 2050.
A projeção faz parte de um estudo divulgado na revista científica Nature Sustainability e apresentado durante a COP-30. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Oxford, que analisaram diferentes cenários de aquecimento global e seus impactos diretos sobre o conforto térmico da população.
Segundo os pesquisadores, o aumento das ondas de calor e da frequência de temperaturas extremas deve levar a uma expansão sem precedentes do mercado de climatização. O relatório estima que a demanda global por ar-condicionado poderá triplicar nas próximas décadas, impulsionada principalmente pelos países tropicais e emergentes.
Brasil entre os países mais vulneráveis ao calor extremo
O estudo destaca o Brasil ao lado de países como Nigéria, Indonésia e Filipinas como uma das regiões onde o crescimento da necessidade de resfriamento será mais intenso. O motivo é a combinação entre altas temperaturas, urbanização acelerada e uma população ainda sem amplo acesso a sistemas eficientes de climatização.
Em muitas cidades brasileiras, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os períodos de calor extremo já estão se tornando mais frequentes e prolongados. Esse cenário aumenta não apenas a busca por conforto térmico residencial, mas também a necessidade de climatização em ambientes comerciais, industriais, hospitalares e corporativos.
Outro fator relevante apontado pelos especialistas é que milhões de pessoas ainda vivem sem acesso adequado a equipamentos de refrigeração e ar-condicionado. Com o aumento da renda e a intensificação do calor, a tendência é de forte expansão do consumo desses sistemas nos próximos anos.
Crescimento do setor AVAC-R deve acelerar
Para o setor de AVAC-R, o cenário representa uma oportunidade histórica de crescimento, mas também traz desafios importantes relacionados à eficiência energética e sustentabilidade.
O aumento expressivo da instalação de aparelhos de ar-condicionado pode elevar significativamente o consumo de energia elétrica, pressionando redes de distribuição e ampliando a necessidade de soluções mais eficientes. Por isso, fabricantes e empresas do setor vêm intensificando investimentos em tecnologias inverter, automação, inteligência artificial aplicada à climatização e fluidos refrigerantes de baixo GWP.
A pesquisa também reforça a importância de projetos de climatização mais inteligentes, capazes de equilibrar conforto térmico, eficiência energética e redução das emissões de carbono.
Mudanças climáticas devem alterar padrões de consumo
Os cientistas de Oxford criaram modelos climáticos para avaliar como as populações poderão reagir às mudanças de temperatura ao longo das próximas décadas. O resultado mostra que regiões historicamente quentes terão aumento ainda maior da necessidade de resfriamento, enquanto áreas mais frias também começarão a enfrentar eventos extremos de calor com maior frequência.
Na prática, isso significa que o ar-condicionado deixará de ser apenas um item de conforto em muitas regiões e passará a ser considerado um equipamento essencial para saúde, produtividade e qualidade de vida.
Especialistas alertam que temperaturas elevadas podem aumentar riscos relacionados à saúde pública, especialmente entre idosos, crianças e trabalhadores expostos ao calor excessivo. Dessa forma, hospitais, escolas, centros logísticos, supermercados e indústrias deverão ampliar investimentos em climatização nos próximos anos.
Eficiência energética será prioridade
Com a expectativa de crescimento acelerado do mercado, a eficiência energética tende a se tornar um dos principais pilares da evolução do setor AVAC-R no Brasil.
Equipamentos mais modernos, integração com automação predial, manutenção preditiva e sistemas inteligentes de controle térmico deverão ganhar ainda mais espaço. Além disso, políticas públicas voltadas à eficiência energética e ao uso de refrigerantes com menor impacto ambiental poderão influenciar diretamente a modernização do parque instalado no país.
Para o mercado brasileiro, o avanço da climatização deve impulsionar toda a cadeia produtiva do setor, incluindo fabricantes, distribuidores, instaladores, empresas de manutenção e profissionais especializados.
Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda reforça a necessidade de capacitação técnica e adoção de soluções sustentáveis, capazes de atender um futuro onde o conforto térmico será cada vez mais indispensável.

